linha tênue.
eu diria que estou no momento da vida que eu chamaria de meio fio. não estou completamente na calçada, e nem na rua. eu estou naquela linha que separa uma lajota da outra, sabe? ou na corda bamba. sem ter decidido ainda se caio ou se vou até o fim. e você vai achar que eu ando indeciso. que eu não sei o que eu quero. baunilha ou morango. terror ou comédia. livros ou séries. doce ou salgado. e não é bem isso. não é indecisão. é estar levemente confortável entre o sim e o não. talvez? calma, você vai entender. diria que me encontro entre não querer me apaixonar mas morrendo de vontade de viver um grande amor. com ânsia de sentir aquele frio no estômago mas terrivelmente apavorado com a chance de sofrer de novo. querendo conhecer alguém mas sem paciência pra todos aqueles clichês de primeiro encontro. talvez alguém que já tenha estado mas que a vida acabou colocando num trem antes da hora me daria menos trabalho. quem sabe a gente tenha finalmente acertado a mesma estação depois de uns anos. é que eu me vejo numa dualidade, compreende? entre dois opostos. alguns diriam que alcancei o equilíbrio. outros que abracei o meu lado frio e distante. eu diria que achei uma poltrona num espaço cheio de pessoas de pé. me permitindo pela primeira vez na vida um breve descanso. as pernas apoiadas num banquinho. confortável. segurando um copo cheio de qualquer bebida gaseificada. é como se eu tivesse finalmente entendido que não preciso estar atento e buscando o tempo todo. tem coisas que serão minhas até com o mínimo de esforço. porque já estão destinadas a ser. descobri que não quero mais estar em extremos. é isso, entendeu? percebi que é exaustivo oscilar frequentemente entre o alto e o baixo. sobe e desce. sobe e desce. sobe e desce. não têm estômago que aguente. não tem coração que encontre a batida correta. pressão cai. pressão sobe. o corpo não sabe se desmaia. a cabeça que não para de doer. cansei da inconstância. a partir de hoje eu só me jogo de cabeça em certezas. e por favor, me poupa das tuas palavras ensaiadas e dos teus diálogos prontos. eu só vou me permitir voar dentro daquilo que o meu olho ver e do que a minha alma sentir. e não no que você me fizer ouvir.
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